“Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” – João 9.25
A conversa era tensa. E piorou quando o sinédrio disse: “Dá glória a Deus”, iniciando o diálogo com ex-cego de nascença. Esta frase iniciava o processo por heresia. Normalmente degenerava em condenação. A resposta do inquirido foi desconcertante. Desconhece teologia, mas tem certeza de uma coisa: era cego e agora via. Contra os discursos, exibiu a sua experiência. Mais à frente, o ex-cego fulminou a falação dos teólogos: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (vv. 32-33).
Muitas experiências não provam nada. “Eu senti no meu coração” ou “Deus me falou” são argumentos que pretendem ser a prova de si mesmos. O raciocínio é falho. Além disto, a subjetividade não pode julgar a objetividade. O que é, é. Isto independe do que a pessoa sinta. Sentimentos não provam fatos. Mas o personagem anônimo de João 9 mostrou a transformação em sua vida. Não exibiu sensações, mas um fato que não podia ser negado. Mais tarde, o sinédrio enfrentou a mesma situação, com a cura do coxo à porta do templo: “Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um sinal notório, e não o podemos negar” (At 4.16).
Em programas de televisão vejo pessoas alegando curas de dor. Nas costas, na coluna, no braço. E o milagre é dado. Mas dor é um conceito subjetivo. Lembro-me de Cassius Clay, boxeador, lutando com a mandíbula fraturada. Eu, quando sinto dor, logo me recolho junto à minha esposa. O “tadinho!” dela e seu carinho compensam tudo. Longe de mim querer continuar fazendo alguma coisa com mandíbula fraturada. Mas nunca vi alguém realmente paralítico, atestado por médicos, ou cego, atestado por oftalmologista, ser curado. Por que não se exibem atestados médicos declarando a enfermidade da pessoa supostamente curada?
Mas o importante, na realidade, é isto: o testemunho baseado em experiência de transformação de vida é irrefutável. Muita gente pensa que não pode evangelizar porque não estudou em seminário (tenho dúvidas se seminário forma evangelistas) ou por não ter cultura acadêmica. O que alguém precisa para evangelizar é mostrar que Jesus mudou sua vida. Ouvi isto de um homem que testemunhava junto a outro: “Eu era um beberrão, espancava minha esposa e meus filhos se urinavam de medo quando eu chegava em casa. Jesus me transformou. Amo minha esposa, meus filhos têm prazer em minha companhia. Jesus mudou minha vida!”. O colega ouviu impressionado. Ele conhecia a vida anterior de quem lhe falava.
Gente transformada tem o que dizer. Gente transformada nunca consegue ficar sem dizer. Como disse Bernanos: “Os convertidos são incômodos”. Precisamos de crentes que tenham experimentado uma profunda transformação de vida, e não apenas aderido a um programa ou a instituição. De gente que foi regenerada pelo poder do evangelho. Essas pessoas têm um testemunho irrefutável.
Você tem o que dizer? Jesus deu significado à sua vida? Então diga! Mas se Jesus nada fez em sua vida e você ainda continua cego ou coxo à porta do templo, clame a Deus. Não por riquezas e bênçãos, mas por transformação. O evangelho transforma, enche a vida de significado, dá razão para viver. E leva a um testemunho poderoso.
Jesus faz a diferença. Uma vida transformada por ele chamará a atenção. E dará um testemunho irrefutável. Que o Espírito de Deus nos habilite a todos, para podermos dizer: “Eu era…, mas o homem chamado Jesus…”.
(Texto do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho de Maio/2010)
Aqui você vai encontrar textos meus ou de pessoas que gosto e/ou respeito. A base dos textos serão dois versículos da Bíblia: "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento." (Fp 4:8) e "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;" (Cl 3:2).
sábado, 17 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Missão e a Igreja
"A igreja recebeu inúmeras ordens e modelos que revelam o que ela deve ser e fazer. não é difícil catalogar um grande número de ordens específicas dadas aos cristãos primitivos e às suas igrejas, ordens para se dedicar ao cuidado e orientação das pessoas, ao testemunho, à adoração, ao estudo e à contribuição. Todos esses ministérios foram iniciados com entusiasmo pelos cristãos primitivos, quando eles começaram a se sentir como parte do movimento do espírito de Deus. De alguma maneira, no meio de todas essas palavras e imagens, a igreja moderna deve procurar sua identidade pessoal e sua dinâmica para executar seu trabalho no século XX.
Pense em todas as metáforas e imagens encontradas no Novo Testamento que revelam a natureza e a missão da igreja: luz, sal, fermento, uma coluna sustentando a verdade, um embaixador de Deus, um semeador, um templo de adoração, um servo carregando uma cruz. A lista é interminável!
Existem tantas coisas importantes e necessárias do que a igreja deve ser e fazer que o eixo ao redor do qual todas elas giram pode ser perdido caso um aspecto ou detalhe seja tratado à parte dos demais. No final, todas estas imagens e ordens estão baseadas na realidade de que a igreja é um resultado e ao mesmo tempo um participante da missão de Deus. Deus está agindo na história para realizar Sua redenção e para reinar sobre uma criação rebelde. Deus tem-Se revelado miraculosamente, agindo na história na pessoa de Jesus Cristo e através do Seu povo. A igreja é ao mesmo tempo uma consequência e uma colaboradora com Deus no processo de estabelecer o reino de Deus aqui na terra.
Expressar e definir a essência da missão da igreja é delinear a missio Dei. A missão da igreja é a sua participação no, e cooperação com o, que Deus está graciosamente fazendo, redentivamente, aqui na terra. Deve ser um sinal da presença do reino em palavras e obras. Deve ser uma resposta parcial à oração: "venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu." É compreender a igreja na sua realidade com a nova criação de Deus, o corpo de Cristo, o templo do Espírito. A missão da igreja deve ser compreendida em termos do Deus triúno, cuja criação e cujo agente no mundo é a igreja de Jesus Cristo.
Qualquer que seja a missão que se imagine, deve estar firmada e centralizada na realidade e no poder de um Deus amoroso e gracioso, que amou o mundo de tal maneira que mandou Seu único filho para nos libertar e nos possibilitar participarmos da vida do Seu domínio real, na companhia do Seu povo. O movimento de sair para buscar e salvar os perdidos, para resgatar aqueles que vivem com medo da morte, para alimentar os famintos e para vestir os nus, para libertar os oprimidos, está alicerçado na ação de Deus em mandar o Filho e o Espírito. "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio" (João 20.21)."
Este texto foi extraído do capítulo 56 do livro Missões Transculturais: Uma Perspectiva Estratégica, de Ralph D. Winter e Steven C. Hawthorne, publicado pela editora Mundo Cristão.
Apesar do tempo em que foi escrito e pensando numa sociedade de algumas décadas atrás, continua muito atual, principalmente pelo tema que trata: a missão da igreja. Após a sua morte Deus nos deixou uma ordem muito específica e sempre que tratarmos de missão da igreja não temos que nos preocupar se seremos remetidos a décadas ou séculos atrás, pois na verdade temos que entender que seremos sempre remetidos ao primeiro século é a ordem de Cristo.
Saudações,
Pense em todas as metáforas e imagens encontradas no Novo Testamento que revelam a natureza e a missão da igreja: luz, sal, fermento, uma coluna sustentando a verdade, um embaixador de Deus, um semeador, um templo de adoração, um servo carregando uma cruz. A lista é interminável!
Existem tantas coisas importantes e necessárias do que a igreja deve ser e fazer que o eixo ao redor do qual todas elas giram pode ser perdido caso um aspecto ou detalhe seja tratado à parte dos demais. No final, todas estas imagens e ordens estão baseadas na realidade de que a igreja é um resultado e ao mesmo tempo um participante da missão de Deus. Deus está agindo na história para realizar Sua redenção e para reinar sobre uma criação rebelde. Deus tem-Se revelado miraculosamente, agindo na história na pessoa de Jesus Cristo e através do Seu povo. A igreja é ao mesmo tempo uma consequência e uma colaboradora com Deus no processo de estabelecer o reino de Deus aqui na terra.
Expressar e definir a essência da missão da igreja é delinear a missio Dei. A missão da igreja é a sua participação no, e cooperação com o, que Deus está graciosamente fazendo, redentivamente, aqui na terra. Deve ser um sinal da presença do reino em palavras e obras. Deve ser uma resposta parcial à oração: "venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu." É compreender a igreja na sua realidade com a nova criação de Deus, o corpo de Cristo, o templo do Espírito. A missão da igreja deve ser compreendida em termos do Deus triúno, cuja criação e cujo agente no mundo é a igreja de Jesus Cristo.
Qualquer que seja a missão que se imagine, deve estar firmada e centralizada na realidade e no poder de um Deus amoroso e gracioso, que amou o mundo de tal maneira que mandou Seu único filho para nos libertar e nos possibilitar participarmos da vida do Seu domínio real, na companhia do Seu povo. O movimento de sair para buscar e salvar os perdidos, para resgatar aqueles que vivem com medo da morte, para alimentar os famintos e para vestir os nus, para libertar os oprimidos, está alicerçado na ação de Deus em mandar o Filho e o Espírito. "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio" (João 20.21)."
Este texto foi extraído do capítulo 56 do livro Missões Transculturais: Uma Perspectiva Estratégica, de Ralph D. Winter e Steven C. Hawthorne, publicado pela editora Mundo Cristão.
Apesar do tempo em que foi escrito e pensando numa sociedade de algumas décadas atrás, continua muito atual, principalmente pelo tema que trata: a missão da igreja. Após a sua morte Deus nos deixou uma ordem muito específica e sempre que tratarmos de missão da igreja não temos que nos preocupar se seremos remetidos a décadas ou séculos atrás, pois na verdade temos que entender que seremos sempre remetidos ao primeiro século é a ordem de Cristo.
Saudações,
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Lições de um discípulo subterrâneo
Um questionamento que devemos nos fazer ocasionalmente na nossa vida cristã é: temos sido realmente discípulos? Muitas vezes podemos estar vivendo apenas como membros de uma igreja, participantes de uma religião, ou estudantes de teologia.
O chamado de Cristo é para que fossemos discípulos e fazermos outros discípulos, se quisermos, realmente, nos identificarmos com Jesus não existe alternativa. Apesar de que ter uma religião é bom, sem membro de alguma igreja cristã é bom, estudar teologia é bom, não é somente esse o desafio que Cristo nos deixou.
Olhando para a vida de um dos discípulos de Jesus (José de Arimatéia), podemos tirar, ao menos, quatro lições muito importantes do que está envolvido nessa questão de ser discípulo e não somente religioso.
Em João 7.45-52 lemos: “Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem. Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Será que também vós fostes enganados? Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus? Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita. Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta.”
Pode parecer estranho estudar o exemplo de José de Arimatéia e começar com um texto em que ele nem é mencionado. Mas é disso mesmo que quero tirar uma lição. Sabemos que José de Arimatéia era membro do sinédrio e quando este estava reunido para tratar do que Jesus vinha ensinando e Jesus, mesmo ausente, é acusado de distorções doutrinárias, José de Arimatéia não se pronuncia para defender Jesus, ele permanece em silêncio. Então fica para nós a primeira lição:
1. Quanto mais tempo você leva para se identificar como um discípulo de Jesus Cristo, menos valor prático esse discipulado vai ter na sua vida.
Mais pra frente na vida de José de Arimatéia (conforme registrado em Mateus 27.57-61) vemos que houve uma identificação, mas o valor prático já era muito menor.
Continuando a ler sobre a vida deste homem, nos deparamos com o texto de Marcos 15.42-47, que diz: “Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera. Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José. Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo. Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.”
Vemos que o texto descreve José de Arimatéia como alguém que “também esperava o reino de Deus” e que, talvez, só tenha entendido o propósito de vida e os ensinamentos de Cristo ao vê-lo crucificado. Mas, independente disso, ele agora demonstra identificação que não teve anteriormente e nos dá a segunda lição:
2. Tenha coragem de discordar, quando a reputação de Jesus estiver em jogo.
Agora, num momento em que tinha tudo a perder (inclusive a própria vida), José de Arimatéia ousadamente pede o corpo de Jesus às autoridades e se identifica como um seguidor. Se compararmos o procedimento de José com o de Pedro, na véspera, veremos que sua atitude exigiu muita coragem.
Em Lucas 23.50-56 vemos: “E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo (que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros), natural de Arimatéia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus, tendo procurado a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus, e, tirando-o do madeiro, envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado. Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento.”
A história do primeiro século nos dá duas informações muito importantes, uma é que os reis e líderes da época eram enterrados banhados de muitos aromas. Em alguns casos, toneladas de aromas eram investidas, sendo que esses aromas eram produtos muito valiosos. Outra coisa que sabemos é que o custo de uma sepultura era elevado e somente pessoas com boas condições financeiras e influência social tinham sepulturas. Na condição em que Jesus foi executado, não era para ele ser sepultado, talvez o normal seja que seu corpo nem fosse retirado da cruz, mas José de Arimatéia o colocou na sua sepultura familiar.
O que aprendemos com isso? José de Arimatéia investiu financeiramente algo considerável nesse sepultamento e correu o risco de ter sua honra e sua posição no sinédrio ameaçados por conta deste sepultamento. Então temos nossa terceira lição:
3. Esteja sempre preparado para dar o seu melhor pra Jesus, mesmo quando já pareça muito tarde.
Para concluir, vemos no versículo 42 de Marcos 15 (já transcrito acima) que José de Arimatéia precisou vencer medos e ter muita coragem para se dirigir a Pilatos e pedir o corpo de Jesus. Citando literalmente o Dr. Carlos Osvaldo Pinto: “De um covarde que não tinha coragem de falar quando havia pouco a perder, ele se tornou um homem corajoso que foi e mostrou que era um discípulo, quando havia tudo a perder.” Essa foi a mudança de vida vista claramente pelas atitudes de José de Arimatéia e disso tiramos nossa última lição:
4. Ninguém merece mais o seu medo, do que Jesus merece o seu compromisso.
Termino com outra citação do Dr. Carlos Osvaldo Pinto, que eu espero, possa motivá-lo a ser mais do que um religioso, mas passe a ser um verdadeiro discípulo de Jesus.
“O discipulado não é uma opção de vida a ser exercida quando as circunstâncias favorecem, mas um compromisso de amor a ser exercido a partir do primeiro dia da nossa vida cristã.”
Saudações,
(texto baseado em mensagem do Dr. Carlos Osvaldo Pinto aos alunos do SBPV no dia 09/03/2010)
O chamado de Cristo é para que fossemos discípulos e fazermos outros discípulos, se quisermos, realmente, nos identificarmos com Jesus não existe alternativa. Apesar de que ter uma religião é bom, sem membro de alguma igreja cristã é bom, estudar teologia é bom, não é somente esse o desafio que Cristo nos deixou.
Olhando para a vida de um dos discípulos de Jesus (José de Arimatéia), podemos tirar, ao menos, quatro lições muito importantes do que está envolvido nessa questão de ser discípulo e não somente religioso.
Em João 7.45-52 lemos: “Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem. Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Será que também vós fostes enganados? Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus? Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita. Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta.”
Pode parecer estranho estudar o exemplo de José de Arimatéia e começar com um texto em que ele nem é mencionado. Mas é disso mesmo que quero tirar uma lição. Sabemos que José de Arimatéia era membro do sinédrio e quando este estava reunido para tratar do que Jesus vinha ensinando e Jesus, mesmo ausente, é acusado de distorções doutrinárias, José de Arimatéia não se pronuncia para defender Jesus, ele permanece em silêncio. Então fica para nós a primeira lição:
1. Quanto mais tempo você leva para se identificar como um discípulo de Jesus Cristo, menos valor prático esse discipulado vai ter na sua vida.
Mais pra frente na vida de José de Arimatéia (conforme registrado em Mateus 27.57-61) vemos que houve uma identificação, mas o valor prático já era muito menor.
Continuando a ler sobre a vida deste homem, nos deparamos com o texto de Marcos 15.42-47, que diz: “Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera. Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José. Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo. Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.”
Vemos que o texto descreve José de Arimatéia como alguém que “também esperava o reino de Deus” e que, talvez, só tenha entendido o propósito de vida e os ensinamentos de Cristo ao vê-lo crucificado. Mas, independente disso, ele agora demonstra identificação que não teve anteriormente e nos dá a segunda lição:
2. Tenha coragem de discordar, quando a reputação de Jesus estiver em jogo.
Agora, num momento em que tinha tudo a perder (inclusive a própria vida), José de Arimatéia ousadamente pede o corpo de Jesus às autoridades e se identifica como um seguidor. Se compararmos o procedimento de José com o de Pedro, na véspera, veremos que sua atitude exigiu muita coragem.
Em Lucas 23.50-56 vemos: “E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo (que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros), natural de Arimatéia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus, tendo procurado a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus, e, tirando-o do madeiro, envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado. Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento.”
A história do primeiro século nos dá duas informações muito importantes, uma é que os reis e líderes da época eram enterrados banhados de muitos aromas. Em alguns casos, toneladas de aromas eram investidas, sendo que esses aromas eram produtos muito valiosos. Outra coisa que sabemos é que o custo de uma sepultura era elevado e somente pessoas com boas condições financeiras e influência social tinham sepulturas. Na condição em que Jesus foi executado, não era para ele ser sepultado, talvez o normal seja que seu corpo nem fosse retirado da cruz, mas José de Arimatéia o colocou na sua sepultura familiar.
O que aprendemos com isso? José de Arimatéia investiu financeiramente algo considerável nesse sepultamento e correu o risco de ter sua honra e sua posição no sinédrio ameaçados por conta deste sepultamento. Então temos nossa terceira lição:
3. Esteja sempre preparado para dar o seu melhor pra Jesus, mesmo quando já pareça muito tarde.
Para concluir, vemos no versículo 42 de Marcos 15 (já transcrito acima) que José de Arimatéia precisou vencer medos e ter muita coragem para se dirigir a Pilatos e pedir o corpo de Jesus. Citando literalmente o Dr. Carlos Osvaldo Pinto: “De um covarde que não tinha coragem de falar quando havia pouco a perder, ele se tornou um homem corajoso que foi e mostrou que era um discípulo, quando havia tudo a perder.” Essa foi a mudança de vida vista claramente pelas atitudes de José de Arimatéia e disso tiramos nossa última lição:
4. Ninguém merece mais o seu medo, do que Jesus merece o seu compromisso.
Termino com outra citação do Dr. Carlos Osvaldo Pinto, que eu espero, possa motivá-lo a ser mais do que um religioso, mas passe a ser um verdadeiro discípulo de Jesus.
“O discipulado não é uma opção de vida a ser exercida quando as circunstâncias favorecem, mas um compromisso de amor a ser exercido a partir do primeiro dia da nossa vida cristã.”
Saudações,
(texto baseado em mensagem do Dr. Carlos Osvaldo Pinto aos alunos do SBPV no dia 09/03/2010)
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